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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Leitura Literalista da biblia

A leitura literalista da bíblia se iniciou nos anos 80 nos EUA e foi importada para o Brasil por grandes nomes, dentre eles Silas Malafaia. A biblia, em mais de 2000 anos de traduções NUNCA havia sido lida literalmente, cristãos a liam e sabiam diferenciar e levar em consideração a cultura local e o contexto no qual a biblia havia sido escrita.

Devemos lembrar que a biblia além de sagrada, também é um livro histórico, e como todo livro histórico deve-se saber da contextualidade de seus textos, uma vez que texto fora de contexto vira pretexto e é exatamente o que muitos pregadores fazem, prova disso é a nova teologia da prosperidade, utilizam-se de uma pequena parte da biblia para convencer os fieis que filho de Deus tem que ser (reparem que é uma regra) rico e se esquecem que o próprio Cristo foi pobre e humilde e andava com pescadores o que prova sua humildade, o que irritava profundamente os fariseus.

Pregadores fazem da palavra de Deus uma base para enriquecerem e massacram aqueles que tem um minimo de inteligência (vejam o caso de Caio Fabio e outros pastores que ao se oporem acabam por ser perseguidos e expulsos do meio gospel) e quando o povo começa a abrir os olhos transferem as discussões para outro ambito como o homossexualismo por exemplo. Parafraseando o presidente Luis Inacio Lula da Silva, nunca na história desse país viu-se uma perseguição tão massacrante e dolorosa aos homossexuais.

Evangélicos e católicos, tradicionalmente duas seitas cristãs que se opoem , incrivelmente se unem para massacrar os homossexuais. Dai percebe-se o quanto tais seitas são iguais. Protestantes reclamam dos tempos da inquisição e católicos dos tempos em que protestantes matavam católicos, agora, ambas seitas se unem para perseguir e massacrar uma minoria, matam (emocionalmente e espiritualmente) milhares de jovens homossexuais todos os dias. A prova disso? O número de adolescentes e jovens homossexuais que se suicidam tem aumentado consideravelmente nos EUA não sendo muito diferente no Brasil. A maior causa dessas mortes é a religião. Jovens se sentem ignorados por Deus e por não conseguirem seguir uma vida de celibato e/ou não conseguirem obter a tão desejada mudança imposta por pais e pregadores, não suportam a pressão e acabam por tirar suas vidas.

Indiferente a isto, cristãos em toda sua hipocrisia e desamor culpam estes jovens por tirarem suas próprias vidas, renegando assim a grande parcela de culpa que os cristãos perseguidores têm. Culpam ao diabo e ao universo, mas não conseguem perceber que são eles, os portadores da palavra do amor e tolerância, os maiores causadores desta ruina. Infelizmente muitos só percebem quando já é tarde demais.

Em filmes como "Orações para Bobby" e "Porque a biblia me diz assim" fica muito evidente a parcela de culpa das religiões e seus seguidores. Pais cristãos que só decidem estudar a diversidade sexual depois da morte de seus filhos é mais comum do que se imagina. Jovens que entram em depressão ou que se casam com pessoas que não amam porque não suportam a pressão também não são raros.

A perseguição imposta por seguidores da maior religião do mundo me fez refletir algo: será que estes são mesmo os verdadeiros seguidores de Cristo? Será que o próprio Cristo seria cristão? Minha humilde opinião: NÃO. Se Cristo estivesse em nossos tempos de corpo presente provavelmente choraria amargamente em ver que os fariseus estão adentrando em Suas Igrejas, estão impondo um novo tipo de tiranismo e ainda enriquecendo as custas do povo, tal qual à 2010 anos atras.

Utilizam-se da palavra de Deus para massacrar e matar tal qual à 2010 anos atras. O que Cristo fez a 2010 anos atrás? Sentou-se com pecadores, acolheu prostitutas e deixou o maior mandamento: Ame o teu próximo como a ti mesmo, abolindo então as Leis que o povo seguia, até então intocáveis. Pergunto-me se quando Cristo curou no sábado não deveria Ele ter sido apedrejado? Ao proteger a prostituta, Ele não deveria ter sido apedrejado junto a ela?

Pela Lei que os judeus ainda seguiam, sim, Cristo devia ter sido apedrejado. Mas por que não foi? Simples, porque Ele era o amor em pessoa, como alguém poderia apedrejar o amor? Como alguém poderia virar o rosto e ignorar o amor? Não poderia, por isso fariseus não o apedrejaram, porque Ele era e é o amor maior, o amor piedoso, o amor compreensivo, ele é o Amor.

Quando vimos cristo perseguindo? Nunca. Quando alguém se levanta para me dizer o que está escrito em Leviticos eu digo: e o Amor? E Cristo que veio para abolir tais regras? Ora, ou vivemos pela Graça e pela Graça somos salvos ou voltemos aos tempos de Moisés! Somos um em Cristo e como um temos de nos suportar (ajudar, auxiliar) e não julgar e condenar.

Cristo é amor e é nisso que creio. Não me venham dizer que uns são agraciados e outros não, Ele veio pelo e para o mundo e não para meia dúzia de hipócritas que usam Seu nome para matar e massacrar, Ele veio para dar vida e alivio, porque Ele é AMOR.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

E a tal da intolerância...

Intolerância: ¹Falta de tolerância; ² Violência.
Tolerância: ¹ Condescendência ou indulgência para com aquilo que não se quer ou não se pode impedir; ² Boa disposição dos que ouvem com paciência opiniões opostas às suas.; ³Med. Faculdade ou aptidão que o organismo dos doentes apresenta para suportar certos medicamentos.
O que falta a muitos dos intolerantes é uma coisa muito simples: conhecimento. Pessoas que acreditam em qualquer coisa sem se dar o minimo de trabalho para descobrir se, de fato, o que lhes dizem é verdade ou não. A intolerância se encontra de muitas maneiras: intolerância religiosa, intolerância étnica, intolerância a qualquer coisa que seja colocado como "estranho" ou diferente. Pessoas que seguem um padrão, uma normativa geralmente não gostam de ser contrariados, dai surgindo a intolerância. Intolerância religiosa é muito mais comum do que imaginamos. Ver alguem dizendo que esta ou aquela religião é do diabo pode sim e é caracateristica de alguem intolerante que não sabe ver com bom olhos a cultura de outras pessoas, caracteristica de quem não sabe pensar por si próprio, que não tem capacidade de pesquisar sobre outras religiões. A intolerância religiosa foi a causa da inquisição. Intolerância étnica se dá quando o individuo não aceita a raça, cor, credo de outras pessoas ou ainda, se dá por meio do xenofobismo, ou seja, medo de quem vem de fora, de imigrantes ou culturas diferentes. Intolerância étnica ocasionou um maiores massacres da história: O Holocausto, promovido por Hitler na Alemanha Nazista, ou ainda o apartheid na África do Sul. Intolerância em pleno século XXI me parece estranho e deveras ultrapassado. A religião é uma das maiores, se não a maior, formadora de opiniões. Pessoas tomam por verdade o que se é dito por padres, pastores, rabinos e demais líderes religiosos. Uma sociedade construída com base no cristianismo e tão preconceituosa que, por vezes assusta quem é adepto de outra religião ou quem se denomina ateu. Ora se você não é cristão ou discorda da visão deles logo irão te condenar ao inferno, porém, quando há escandalos no meio deles logo dizem que quem julga ou condena é Deus. Não tem uma postura definida e são confusos, não levam a sério o que está nas escrituras: "Seja o seu falar sim, sim ou não, não, o que passar disso é maldição". São intolerantes ao ponto de não permitir que pessoas adversas a eles se pronunciem, são hipócritas quando falam de amor pois, se é para acusar ou incitar ao ódio é com eles mesmos. E estes eu denomino pseudocristãos, pseudopastores que pregam a intolerância e o ódio e se escondem por tras da palavra de Deus. Pegam textos fora de contextos e colocam guela abaixo de seus seguidores, os poucos que pensam são taxados de hipócritas e herege. Todo aquele que se coloca contra a visão neo-neo-neo-pentecostal é taxado de ultrapassado, todo aquele que se coloca contra as duras leis fundamentalistas é iníquo. A Igreja se separa e diverge, a Igreja esta em decadência, não se lembra do unico mandamento deixado por Cristo, o amor, e busca descaradamente riquezas materiais, busca perseguir, matar e destruir quem se difere deles. Me pergunto se Cristo estivesse hoje entre nós se Ele proprio seguiria o cristianismo, e quanto mais penso mais chego a conclusão de que não, ele não seguiria.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Orgulho e Preconceito III: A religião e a exclusão

Me mudei ainda na 8ª série para Sorocaba. Pertencia a uma igreja chamada Renascer em Cristo, a qual muitos devem conhecer por escandalos, mas pouco me importo, sempre digo que tenho um orgulho imensuravel de ter feito parte desta igreja, foi um dos poucos lugares que me senti acolhida e bem tratada pelo jeito que era.As pessoas não me julgavam (claro que ninguem sabia que era gay) por ser diferente, por me vestir diferente. Eu amava ir. Amava e amo os louvores la entoados, são alegres, as pessoas são realmente felizes porque dentro dessa igreja não encontram nenhum tipo de julgamento, mas infelizmente, a igreja que venceu o preconceito com o rock gospel, ainda permanece no preconceito contra nós, gays.Ao me mudar para Sorocaba, mudamos para uma nova igreja, a qual não me adaptei. Adolescente ainda, ja tinha opiniões muito fortes e não me deixava levar pela cabeça dos outros, era uma adolescente com ideologias a frente de minha idade, que surpreendia até mesmo os lideres da igreja. Nessa fase li duas vezes a biblia, umas tres o livro de Reis, Cronicas, Romanos, Corintios e outros livros que me chamavam mais a atenção. As cartas e epistolas do apóstolo Paulo sempre me chamavam muito a atenção. Fiz muitos estudos sobre a biblia, dai não dava tempo para pensar em outra coisa. Decidi que não iria mais gostar de meninas. Era decisão tomada.Comecei a negar minha identidade, comecei a me vestir de maneira diferente, comecei a tambem querer chamar a atenção dos garotos, o problema é que nehnhum deles me chamavam a atenção. Na escola, mais do que nunca, me saia muito bem. Fui uma das primeiras colocadas na escola na olimpiadas Matematicas, indo pra disputa da cidade e, segundo minha professora, tendo grandes chances pra disputa regional. Mas não fui.Tinha um compromisso na igreja, embora depois tenha levado uma baita bronca dos meus pais. Mas foram eles que me ensinaram que a igreja era muito importante, a colocava em primeiro lugar. Na escola tentava negar de qualquer jeito minha identidade. O problema era meu gosto incomum por futsal. Eu sou quase uma fanatica por futebol.Gostava de jogar e, embora outras meninas heteros jogavam, eu era perseguida. Os garotos que ja haviam sido ignorados por mim não perdoavam e espalhavam boatos maldosos sobre mim.Pouco me importava. Lembro-me em um campeonato em que todos se reuniram para gritar unissonos: "ão ão ão a 8 é sapatão" adivinhem quem era a camisa 8? Queria que isso fosse hoje em dia, a minha resposta estaria preparada, mas naquela época? Parei de jogar,me perdi. No final do jogo chorei e fui consolada por colegas e adversarias. Me pergunto como reagiriam hoje em dia sabendo que era verdade. Me neguei tanto que acabei entrando numa depressão profunda. Não conseguia sair, nada mais me ajudava. Nem igreja, nem biblia, nem amigos. Minha angustia era tão grande que não conseguia sair da cama. Mudamos de casa, mudamos de Igreja. recebi um apoio grandioso dos pastores da nova Igreja. Pessoas estudadas, que não eram facilmente manipuladas. O problema era que, ainda jovem, sabia muito mais do que supunham. Era muito mais avançada dos que as escolas dominicais que se tinham na igreja. Eu havia começado um curso preparatório para pastores aos 13 anos. Aos 17 era uma conhecedora assidua da biblia. Alguns debates já não eram mais precisos para mim. Ganhei um troféu num concurso de perguntas e respostas para a igreja. O detalhe era que só tinham 6 representatntes da nossa igreja. Eu só deixei de responder uma pergunta que foi nos feita, ganhando assim o troféu para a igreja. Os outros achavam estranho isso.Mas a época de escola estava acabando e eu ainda estava me negando. Quando mudei para a igreja, passei a perceber que não era a unica tentando me esconder. Haviam mais jovens ali tentando buscar uma cura para o que tinhamos, acho que isso me deu mais forças e esperanças para continuar tentando. Acabei criando um ódio mortal por gays. Acreditava em tudo o que me falavam. Que eram promiscuos, sem familia, degenerados e escoria da sociedade. Mas eu os amava, só não amava o que faziam. Hipocrisia. Meus estudos sobre o homossexualismo tinham embasamento biblico e cientifico homofobico. Acabei gerando um conflito enorme dentro de mim mesma ao perceber que, estava apaixonada!Apaixonada de novo por uma garota!Não podia ser! Não queria! Voltei a cair em depressão. A garota era ga igreja e namorava, como podia aquilo? Não podia, não podia e não podia! Tinha amigos nessa igreja, mas não me encaixava. Alguns não gostavam de mim simplesmente por não gostarem outros por saberem que eu sempre estaria preparada para derruba-los em qualquer discussão outros porque prefiriam a presença da minha irmã a minha. Eu sabia que não me encaixava ali. Eu disse que tinha amigos? Era mentira. Ninguem me via, ninguem falava comigo. Estava sempre só. A pior coisa pra um adolescente, acreditem, é a solidão e depois que cortei o cabelo, o qual tinha até a cintura, ficou pior, as pessoas pareciam ter medo de chegar perto de mim, me olhavam torto, até mesmo aqueles que sabiam que tambem eram gays, por estarem encaixados me olhavam feio, me excluiam tal qual os outros, todos se achando melhores, eu voltei a usar as rouoas que me satisfaziam e ignorava olhares de reporvação. Me lembro que fui em dois acampamentos, pra nunca mais voltar. Evangelicos se dizem amorosos, mas excluem todos aqueles que convem a eles. Eu sou uma prova disso. Fui excluida nos dois acampamentos. Para todos era culpa minha! Eu nunca soube que ser timido ou introvertido era doença, alguem esqueceu de me avisar porque lá parecia que era. No primeiro acampamento consegui dar meu jeito, acabei conhecendo algumas pessoas que não tinha contato, fiquei com elas e fui muito bem tratada. Pena que elas só se deixaram me conhecer nos momentos finais do acampamento e eu a elas. No acampamento seguinte fiquei só porque, as pessoas que haviam ficado comigo no anterior haviam mudado de igreja! Em um almoço me sentei junto a uma turma e quando me dei conta estava sozinha na mesa! Liguei chorando para minha mãe, queria ir embora naquele momento e disse a ela que aquele serio o ultimo acampamento! Depois destes acampamentos, ja que estava ingressando na faculdade, decidi me dedicar somente aos estudos. Na faculdade conheci, atraves de uma amiga minha, um gay. Foram colocadas por terra todas as minhas "achações" sobre gays. Ele era inteligente, educado, elegante e nada se parecia com a imagem que eu fazia dos gays. Com uma confusão enorme dentro de mim, ja namorando uma menina de longe, me assumi para eles. Foi um alivio não ser apedrejada e nem ter alguem tentando expulsar um demonio inexistente ou tentando uma cura para algo incuravel.Sabia que o pior seria dentro de casa. Na igreja, como não era mais aceita pelos grupos que la se formavam e sem mais nenhuma força para lutar pela aceitação, acabei abandonando algo que amava e amo de paixão.As pessoas realmente acham que abandonei a Deus e que Ele ne ignora. Acho que estão enganadas. Eles dizem que são filhos e nós criaturas, mas, poderia um filho de Deus agir com tamanha crueldade? Poderia um filho de Deus acusar e condenar alguem por ser diferente? Me pergunto se Jesus seria crente neste século. Imagino que não. Ele não suportaria tanta hipocrisia e faria o que fez com os fariseus: "hipócritas, acham que falam em nome de meu Pai?". Os neo cristãos, e nestes coloco todas as facções do cristianismo, se acham melhores e superiores a qualquer pessoa. Não aceitam ouvir nada de diferente, são fanaticos e por muitas vezes insuportaveis. Eu sei porque ja fui assim. Não buscam o que a Igreja primitiva buscava: a Deus, a união e o amor. Buscam perseguir a tudo o que consideram estranho e amoral. Não aceitam que a biblia, alem de sagrada, tambem é historia. Não aceitam que, em milenios de traduções muitas palavras se perderam e traduções foram feitas a revelia, aceitam se o pastor disser que Deus só faz milagres se eles deram um tanto de quantia, mas não aceitam quando um grupo de estudiosos teologos, pastores e até mesmo judeus se levantam para apontar erros de traduções feitos pela Igreja Católica Apostolica Romana. Ah é, evangelico diz que não tem nada a ver com o catolicismo. E de onde surgiu o protestantismo? De onde veio a biblia deles? A historia não mente. Só porque não tem três ou mais livros, chamados apócrifos, não significa que a biblia deles não seja uma cópia da católica. Quando nos levantamos para levar a palavra de Deus a gays, para dizer a eles que Deus os ama de verdade, somos apedrejados, mas tudo bem se os gays continuarem na ruina. Que amor é esse que exclui? Que amor é esse que mata?